segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

:: Tentação, Vigilância e Oração ::

"Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca". Mt. 26.41

A tentação é um daqueles temas que aterroriza a muitos cristãos. Quando ela vem e percebemos que se trata de uma verdadeira “tentação” buscamos sempre um sólido fundamento para combater teológica, bíblica e espiritualmente tudo aquilo que tem o poder de nos “tentar”. Mas, como um cão que hora ou outra corre atrás do próprio rabo, quando pensamos que vencemos as tentações, eis que surgem outras tantas e tudo começa novamente.
Jacques Ellul, renomado teólogo, sociólogo e filósofo francês, em seu livro Se és o Filho de Deus, publicado pela editora Palavra, traz uma importante reflexão sobre o papel e o propósito da tentação na vida do cristão, partindo de um simples questionamento sobre como Jesus resistiu as tentações deste mundo carnal. Após ser impactado com esta leitura refleti sobre um texto bíblico onde Jesus alerta sobre os perigos das tentações para seus discípulos e cheguei a algumas direções:

a.        É preciso dizer primeiramente e muito nitidamente que Deus não tenta ninguém (Tg 1.13). Deus jamais sentiria prazer em colocar seus filhos à prova para ver se sua fé e seu amor subsistem. Não, Deus não é sádico e não compactua com essa pseudoteologia de que Ele nos tenta ou “prova” para ver se merecemos suas bênçãos. Essa ideia meritória da salvação que vê no sofrimento e nas tentações a mão de Deus lapidando seu povo enquanto dificulta sua caminhada aqui na terra não condiz com as Sagradas Escrituras.

b.       Percebemos que nas tentações há muito mais do humano do que do espiritual (entendo que Satanás se aproveita dessa situação para potencializar o teor das tentações!). Tiago escreve claramente: “Cada um, porém, é tentado pelo seu próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido.” Tg 1.14. Observa-se em uma leitura mais atenciosa desse texto que a chave para o êxito de toda tentação é a cobiça que está em cada ser humano. Essa cobiça engloba todas as vertentes do pecado e remete ao pecado que se originou primeiramente em Lúcifer. Cobiçamos a vida, o status, o poder e o lugar do outro. Tudo vem dessa cobiça desde o Éden. Eva cobiçou o fruto da árvore, cobiçou a autoridade do Criador e cobiçou o lugar do Soberano – “Vocês serão como deuses capazes de dizer o que é bom e o que é mau..” disse a serpente. A tentação esteve diretamente ligado com a cobiça de ser igual a Deus.

c.        Uma vez que a cobiça é algo interior do ser humano, a tentação é algo exterior que potencializa a satisfação dessa cobiça, gerando assim o pecado e com o pecado, a morte. É preciso que haja uma circunstância exterior que desperte a cobiça. O homem sedento por dinheiro não roubaria se não tivesse encontrado uma possibilidade real de subtrair do outro. Cobiça é algo de dentro, tentação é algo circunstancial que explora o que tem dentro. Nas palavras de Ellul “... a tentação é a conjunção entre essa cobiça e essa circunstância.” (p. 20).
Voltando ao texto bíblico que possibilitou essa reflexão Jesus disse: "Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca".
Jesus usou uma fórmula maravilhosa que nos ensina a fugir e também a vencer as tentações que nos rodeiam e que às vezes são tão sutis que nem percebemos quando ela nos dominam e nos fazem cair. Ele, que também foi tentado em todas as coisas, mas não pecou. (Hb 4.15) sabe do perigo da cobiça nos corações dos homens decaídos e o poder das tentações em fazer essa cobiça vir a tona e usa, propositalmente em uma ocasião extremamente propícia, dois verbos que na sua língua original tem conotações bem específicas. São eles:

Vigiar -  esse   verbo usado por Jesus geralmente era usado no contexto militar e conota para um soldado alerta ao menor sinal inimigo. Era o verbo usado para dar comando ao sentinela da torre em tempo de guerra para que ele não tirasse os olhos dos limites do acampamento para que assim que percebesse qualquer movimentação estranha alertasse o exército em prontidão. Quando observarmos algo que pode ser potencialmente tentador, devemos identifica-lo com antecedência para não sermos surpreendidos e prontamente seguir para o próximo passo: a oração. a tentação nem sempre vem de maneira definida, às vezes ela se camufla nos arbustos ou por trás das árvores e somente olhos vigilantes e atentos são capazes de reconhece-la.
Lutero uma vez disse: "Você não pode evitar que um pássaro voe pela sua cabeça, mas pode evitar que ele faça um ninho!"

Orar -  indica nossa insuficiência para conseguir por nossas forças vencer a tentação e é o socorro para que o Pai nos dê estratégias para não cair em tentação. É nesse sentido que a oração nos fortalece, pois literalmente clamamos ao Pai e ele nos ouve e responde nos dando forças para resistir,  lutar e fugir. Nunca venceremos uma tentação sem pedirmos que o Espírito Santo nos livre e que o Pai nos ajude, somente em Deus somos capazes de não sermos derrotados.
Uma vez que a tentação estimula a cobiça, a oração tem um papel de domador de nossas cobiças ao confessarmos nossa miséria humana e clamarmos pelo auxílio do alto.
Esses conselhos de Jesus são preciosos para a igreja em tempos tão difíceis e são o caminho seguro para uma vida de dependência e de livramentos em nome do Senhor. Se vigiarmos e orarmos certamente teremos um auxílio divino para não cairmos em tentação e nos livrando do mal.

Pr. Madson Oliveira

Um comentário:

Susana Menezes disse...

Muito boa sua reflexão sobre o assunto, somos soldados muitas vezes despreparados para enfrentar o inimigo, ele sagaz, sabe das nossas fraquezas nos leva diretamente ao alvo, mas graças ao Pai, temos armas poderosas para em algumas vezes contra-atacar em outras ocasiões não sermos atingidos.
Parabéns pelo blog!!